EU
• Eu sou a que no mundo anda perdida,
• Eu sou a que na vida não tem norte,
• Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
• Sou a crucificada… a dolorida…
• Sombra de névoa ténue e esvaecida,
• E que o destino, amargo, triste e forte,
• Impele brutalmente para a morte!
• Alma de luto sempre incompreendida!
• Sou aquela que passa e ninguém vê…
• Sou a que chamam triste sem o ser…
• Sou a que chora sem saber porquê…
• Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
• Alguém que veio ao mundo pra me ver
• E que nunca na vida me encontrou!
Pupilas são agulhas
Várias vezes
durante o dia seu olhar fica ancorado no vazio. Fisgado em redondilhas em torno
de um nada que continua aguardando a imagem que nunca encontrou artimanhas para
como que materializar-se. A respiração trava pela superfície. Ele ainda é
jovem. Nem sequer adivinha quão inútil é escapulir-se da sensação de espanto
fincada pelo seu de-dentro. Ele quer ser feliz. Como dizer pra quem olha o
horizonte com tamanho afinco que cedo ou tarde a contaminação sorrateira tomará
conta de seu corpo. Seu real está amordaçado a uma lembrança convenientemente
fugidia. O impulso foi dado com o murro que seu pai deu em sua mãe. Tinha
quatro anos quando a queda iscou-lhe uma fundura cada vez mais íngreme. No dia
seguinte sua mãe atestou de pés juntos que tudo o que ele viu na verdade não
aconteceu. Queria mais uma chance. Esqueceu - enquanto o buraco movia-se pelo
escuro. Move-se. Mandíbula descascando dentes. Tornou-se uma testemunha ocular
indesejada. No início era sempre durante a noite que o farol dava sinais
saltados de vida. Agora, a qualquer hora do dia. Com os passos dos anos a
ameaça manteve-se constante. Onde pupilas são agulhas. Pele é baque. Som
sobressalto.
*****
Várias vezes
durante o dia seu olhar fica ancorado no vazio. Fisgado em redondilhas em torno
de um nada que continua aguardando a imagem que nunca encontrou artimanhas para
como que materializar-se. A respiração trava pela superfície. Ele ainda é
jovem. Nem sequer adivinha quão inútil é escapulir-se da sensação de espanto
fincada pelo seu de-dentro. Ele quer ser feliz. Como dizer pra quem olha o
horizonte com tamanho afinco que cedo ou tarde a contaminação sorrateira tomará
conta de seu corpo. Seu real está amordaçado a uma lembrança convenientemente
fugidia. O impulso foi dado com o murro que seu pai deu em sua mãe. Tinha
quatro anos quando a queda iscou-lhe uma fundura cada vez mais íngreme. No dia
seguinte sua mãe atestou de pés juntos que tudo o que ele viu na verdade não
aconteceu. Queria mais uma chance. Esqueceu - enquanto o buraco movia-se pelo
escuro. Move-se. Mandíbula descascando dentes. Tornou-se uma testemunha ocular
indesejada. No início era sempre durante a noite que o farol dava sinais
saltados de vida. Agora, a qualquer hora do dia. Com os passos dos anos a
ameaça manteve-se constante. Onde pupilas são agulhas. Pele é baque. Som
sobressalto.